“… Na manhã de 3 de março, chegara a comissão policial para iniciar a investigação, e então, Carlos e Frederico se reconheceram e se cumprimentaram com um sorriso singelo e um forte aperto de mão. O chefe da força policial olhou atentamente para o encontro dos dois e sentiu como se aquele fosse um encontro de 2 irmãos…”
Devido a viagem cansativa, a força policial, que era composta por cinco membros resolveu descansar um pouco, aproveitando esse meio tempo para se alimentar com alguns poucos peixes e frutos que a equipe de pesquisa havia recolhido.
Paulo Antunes, o detetive em comando, resolveu que deveria dar uma olhada na cena do crime antes dos outros, e no corpo também, e, a todo custo, ele queria evitar que Carlos se aprofundasse na investigação. Ao chegar na tenda de Roberto, Paulo encontrou o local totalmente revirado, com manchas de sangue por todos os lados e com alguns furos no colchonete que pertencia a Roberto. Com isso, ele soube que Roberto fora morto em sua tenta, provavelmente enquanto dormia, e também havia ali uma chance grande de saber qual tipo de arma fora usada, uma vez que nenhuma delas ficou alojada no corpo do antropólogo, segundo análise feita por Frederico e repassada à polícia.
Um instante de silêncio, Paulo estava pensativo quando Frederico apareceu atrás dele, na entrada da tenta, ele estava com um semblante triste e um pouco aflito pois toda essa agitação o fazia se sentir incomodado e Paulo achou que seria um bom momento para um pequeno “interrogatório” com Frederico. Eis então que se iniciou o diálogo:
(P) – Venha Frederico, sente-se aqui por um momento.
(F) – Ok.(com uma voz baixa e trêmula)
(P) – Frederico, você convivia muito com Roberto, por serem os 2 no comando da equipe, me diga, em algum momento ele se mostrou preocupado ou com algum tipo de medo?!
(F) – Eu não me lembro de nenhum momento assim, mas eu me lembro que um dia antes dele morrer, ele estava um pouco agitado, mas nada que fosse muito relevante.
(P) – Está bem. Muito obrigado, essa informação foi muito gratificante.
(F) – Por nada – disse Frederico com um sorriso singelo e um olhar de canto.
Paulo fez algumas anotações em seu caderno, Frederico tentou espiar o que o policial escrevia mas ele evitou se mostrar muito curioso para não levantar suspeitas.
Um dos cinco membros da força policial, Pedro, observou a cena com Frederico saindo da tenda, um pouco abalado ainda e se afastando rapidamente, seguido por Paulo que guardava seu bloco de notas no bolso esquerdo de seu paletó, na parte de dentro. Pedro decidiu averiguar com Paulo qual era a situação e se ele já tinha alguma pista de como começar a investigação.
Paulo, que já tinha uma longa experiência em casos difíceis, decidiu que deveria começar a investigação de um modo simples e sem levantar muitas desconfianças, como o que foi feito com Frederico, uma pequena conversa, sem muito “rodeio”.
Pedro, ainda intrigado com a permissão tão facilmente dada a Carlos para acompanhar a força policial, critica a decisão de Paulo, que lhe dá um sorriso e pede que espere e logo irá saber.
Agora será a vez de Oliver, diz Paulo, e Pedro decide que deveria acompanhar seu chefe. Oliver estava sentado, na entrada de sua tenda, comendo uma maçã suculenta que ele havia acabado de colher. Paulo inicia o diálogo.
(P) – Posso me sentar aqui?
(O) – Claro, o lugar não está ocupado. – Oliver, por ser americano, tinha um sotaque um pouco forte.
(P) – Permita lhe fazer algumas perguntas, quando foi a última vez que viu Roberto?
(O) – Foi na manhã do dia 28, ele estava se preparando para uma caminhada matinal, era uma rotina que ele tinha, ele vivia dizendo que nada melhor que uma leve caminhada para começar o dia animado.
(P) – Ele costumava caminhar sozinho?
(O) – As vezes, algumas vezes Frederico o acompanhava, quando ele acordava animado, sabe, eles eram muito próximos, parecia uma relação direta de pai e filho.
(P) – Muito obrigado. Agora pode voltar a comer sua maçã.
Pedro olha para Paulo com uma estranha sensação. Ao caminhar para longe de Oliver, ele pergunta ao chefe se só aquilo era suficiente. Paulo diz que não era preciso um interrogatório profundo de todos os membros da equipe naquele momento pois ele ainda não tinha evidências cruciais que lhe mostrassem o suficiente para poder suspeitar de algum membro. Mas nos pensamentos de Paulo, Frederico seria o verdadeiro suspeito.
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